21 de agosto de 2026

O diagnóstico de Enxaqueca Ocular

O diagnóstico de Enxaqueca Ocular

A enxaqueca afeta a visão de forma temporária. Apesar dos efeitos passageiros, o diagnóstico rápido promove o bem-estar do paciente.

Perda transitória do campo visual e cegueira temporária em um dos olhos; enxergar pontos cintilantes ou ter a visão escurecida; dor de cabeça e enjoo. Esses são alguns dos sintomas da enxaqueca ocular, ou oftálmica, um distúrbio raro que afeta uma em cada 200 pessoas que sofrem de enxaqueca comum.

Isso porque, mesmo sendo um problema de origem neurológica, os sintomas visuais fazem com que os pacientes busquem, primeiramente, o oftalmologista em busca de tratamento. Este, por sua vez, deve estar preparado para entender as queixas do paciente e avaliar se os sintomas indicam um quadro de enxaqueca ocular ou de outra doença para, então, definir a melhor abordagem sobre o problema.

Há poucos estudos sobre esta patologia, e mesmo ainda não tendo certeza sobre os fatores que desencadeiam as crises, existem alguns indícios que podem ajudar a preveni-las ou reduzir a sua frequência. Reunimos as principais informações disponíveis a fim de auxiliar o oftalmologista no diagnóstico e indicação do tratamento.

O que é a enxaqueca ocular?

A enxaqueca ocular se caracteriza por uma série de alterações que podem ocorrer em um dos olhos ou nos dois, e os processos que levam ao quadro, acreditam os cientistas, são os mesmos que causam a enxaqueca comum: redução ou espasmos dos vasos sanguíneos causados pela variação dos níveis de serotonina. A diferença é que, na enxaqueca oftálmica, esses vasos estão localizados na retina ou atrás dos olhos. Há, ainda, estudos que apontam mutações genéticas e a falta de magnésio como fatores de risco para o problema.

Existem diversos motivos que podem desencadear as crises, entre eles, jejum por tempo prolongado ou o excesso de frituras, chocolates e outros alimentos gordurosos ou com excesso de açúcar. Outras doenças como alergia e intolerância alimentar podem contribuir para os episódios de enxaqueca. E as mulheres, por conta das variações hormonais durante o ciclo menstrual, gravidez e menopausa, também são mais propensas a sofrerem com o distúrbio.

Fatores como ansiedade, estresse, longa exposição a luzes fortes ou barulhos altos e problemas para dormir também podem dar início a uma crise.

O que acontece durante uma crise

Os principais sintomas que o médico oftalmologista deve observar como indícios de enxaqueca ocular são pontos cegos próximos ao centro ou que se movimentam pelo campo visual (aura) ou, ainda, perda temporária de toda a visão de um dos olhos. Aliás, é importante salientar que se o paciente apresentou um destes sintomas em ambos os olhos ao mesmo tempo, a enxaqueca ocular pode ser descartada e o médico deve investigar que outro problema ou doença pode estar relacionado a essas ocorrências.

As crises também podem ser acompanhadas de uma série de outros sintomas, como:

Dor de cabeça durante ou após (apesar do que muitos podem acreditar, nem sempre o paciente sente dor durante a ocorrência da enxaqueca ocular);
Enjoo;
Queda da pálpebra (ptose);
Estrabismo temporário;
Alteração no tamanho da pupila;
Enxergar pontos luminosos;
Sensibilidade à luz e ao som.

Apesar dos sintomas que preocupam quem vivência um episódio, a enxaqueca ocular não traz maiores danos à saúde do paciente além do mal estar. As crises duram entre 3 a 30 minutos, mesmo sem a utilização de medicamentos, e os sintomas visuais regridem também durante esse tempo. No entanto, é importante que o oftalmologista realize os exames necessários para confirmar o diagnóstico e encaminhe o paciente para o tratamento correto, a fim de aumentar a sua qualidade de vida.

Diagnóstico da enxaqueca ocular

Em alguns casos, os pacientes podem sentir os sintomas da enxaqueca ocular sem sentir dor e, então, buscar primeiramente o oftalmologista por achar que se trata de uma doença ocular. Cabe ao especialista fazer um exame detalhado para chegar ao diagnóstico correto o mais cedo possível.

Ao receber em seu consultório um paciente que, durante a anamnese, queixa-se de alguns dos sintomas mencionados anteriormente, o oftalmologista deve realizar um exame completo da vista: refração, tonometria de aplanação e mapeamentos de retina. Se não houver indícios de nenhuma outra doença ocular como alterações retinianas e glaucoma, o paciente deve ser encaminhado a um neurologista. Nesse ponto, uma nova bateria de exames, incluindo angiografia, ultrassonografia e ressonância magnética, é realizada para confirmar o diagnóstico.

Tratamento multidisciplinar

Para evitar uma nova crise ou amenizar os seus sintomas, o tratamento da enxaqueca ocular inclui os mesmos medicamentos utilizados para outras enxaquecas: aspirinas, anti-inflamatórios não hormonais e alguns antidepressivos. O paciente deve ser orientado a ingerir os remédios tão logo a dor comece, pois quanto mais ela se intensificar, maior será a dose necessária para amenizá-la.

Além do tratamento medicamentoso, o médico deve oferecer orientações a fim de impedir ou diminuir a frequência das crises. Entre eles estão reduzir o consumo de alimentos gordurosos ou ricos em açúcar, não ficar longos períodos sem se alimentar, evitar situações estressantes e dormir bem.

Apesar do neurologista ser o responsável por diagnosticar e prescrever o tratamento para a enxaqueca ocular, o paciente deve ser orientado a continuar consultando regularmente o neuro-oftalmologista. Ainda existem poucos estudos sobre as origens e consequências desta patologia, logo, o acompanhamento é necessário para garantir a saúde ocular do indivíduo.

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Fonte: Universo Visual – www.universovisual.com.br

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Lentes de contato: indicação, adaptação e acompanhamento são atos médicos exclusivos

Comprar lente de contato virou fácil demais. Quiosque, site, óptica: escolhe pela cor, pelo preço ou pelo "grau aproximado" tirado da receita de óculos, e pronto.

Só que a lente de contato é uma órtese ocular. Ela fica apoiada diretamente sobre a córnea, um tecido transparente, sem vasos sanguíneos, que tira oxigênio do ar e da lágrima. Não é acessório.

Por isso existe a Resolução CFM nº 1.965/2011, que determina: a indicação, a adaptação e o acompanhamento do uso de lentes de contato são atos médicos exclusivos.

O que isso significa na prática:

o grau da lente de contato não é o mesmo dos óculos e não pode ser deduzido dela
material, curva base, diâmetro e oxigenação são definidos pelo médico, com o olho examinado
indicação e adaptação devem ser feitas pelo mesmo profissional
o processo não termina na entrega: o controle periódico faz parte do ato médico
a regra vale igualmente para lentes coloridas sem grau

Sem consulta e sem retorno programado, o paciente aprende a conviver com olho vermelho, ardência e sensibilidade à luz como se fossem "adaptação normal". Quando finalmente procura ajuda, o quadro já não é simples. Ceratite, úlcera de córnea e neovascularização deixam marcas que não se apagam.

Usa lentes há anos e nunca teve problema? O acompanhamento é ainda mais importante: a perda de oxigenação da córnea e a piora do filme lacrimal se instalam devagar, sem sintoma no começo.

Entenda tudo no artigo completo do nosso site.