20 de maio de 2019

Exposição excessiva às “telas” pode causar danos à visão das crianças

Exposição excessiva às “telas” pode causar danos à visão das crianças

Cada vez mais as crianças se distraem e passam horas em frente a telas tanto de computadores quanto de televisões, principalmente se estiveram jogando videogame ou assistindo a desenhos.

Segundo dados do IBOPE On-line, em 2012, a média de horas conectados ao computador, de internautas na faixa etária de 02 a 11 anos, foi de 17 horas diárias.

De acordo com um estudo realizado pelo National Eye Institute (NEI), publicado na edição de dezembro de 2009 do Archives of Ophthalmology, a incidência de miopia precoce entre crianças americanas aumentou de 25% para 41, 6% ao longo dos últimos 30 anos, 66% maior do que antes.

Na atualidade, o uso de tablets e smartphones, além de PCs, tornou-se parte constante do dia-a-dia dos indivíduos em todo o mundo desde a mais tenra idade, seja para o trabalho ou para o lazer.

O uso intensivo destes dispositivos pode afetar o funcionamento do organismo pois suas telas iluminadas emitem o comprimento de onda de luz azul nociva. Este tipo de onda, também é liberada pela iluminação artificial como, por exemplo, as luzes de LED (Diodo Emissor de Luz), as quais emitem frequência luminosa parecida com a que recebemos ao meio-dia. A iluminação do ambiente guia vários ciclos biológicos em nosso corpo, sendo os mais conhecidos, o ciclo circadiano (cerca de um dia) e o ciclo sazonal (dias longos no verão e noites longas no inverno).

Esse tipo de exposição pode causar confusão em nosso relógio biológico. Quando você acende esse tipo de lâmpada, ou liga a tela de um celular no meio da madrugada, o seu organismo passa a entender que é hora de despertar.

A síndrome visual do computador (SVC) reúne os sinais e sintomas relacionados ao uso prolongado destes dispositivos tecnológicos por mais de duas horas consecutivas. Apesar de mais frequente entre adultos que fazem parte da população economicamente ativa, os problemas podem se manifestar em qualquer idade. Seus sinais e sintomas são os seguintes: sensação de olho seco pela redução do movimento de piscar; significativa redução da produção de lágrima basal (que mantém a umidade ocular); imagens mal definidas, borradas ou em duplicidade. Como resultado da pouca lubrificação ocular os olhos ardem, coçam, se tornam avermelhados e há lacrimejamento reflexo para compensar o ressecamento. Piscamos até 60% menos quando estamos diante da tela do computador.

Além destes já citados, são descritos também sensação de aumento do peso das pálpebras, episódios frequentes de dor de cabeça pelo esforço visual, dor cervical agravadas pela má postura; surgimento ou aumento da miopia; erros de refração que afetam a visão à distância das pessoas, principalmente ao se utilizar o celular muito próximo aos olhos, o que desencadeia esforço excessivo de acomodação ocular (foco visual).

Os indivíduos que possuem miopia, hipermetropia, astigmatismo, e não usam óculos quando estão em frente à TV ou ao computador, são mais afetados pela fadiga visual. Isso porque os músculos internos dos nossos olhos, que trabalham como uma espécie de zoom para a captura da imagem, precisam fazer esse trabalho de maneira repetitiva e continuada.

Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, em 2050, metade da população mundial será míope, visto que, além da hereditariedade, muitos oftalmopediatras apontam, pois segundo pesquisas, o uso prolongado do computador e da TV na infância e adolescência contribui para o desenvolvimento da miopia. É fundamental que os pais estejam atentos aos sinais dados pelos filhos. Assim, eles poderão recorrer a um oftalmologista e detectar precocemente possíveis doenças oculares e tratá-las.

Como os efeitos da exposição à luz azul são cumulativos e aceleram o envelhecimento dos tecidos oculares, isto resulta em um aumento do risco para ter DMRI (degeneração macular relacionada à idade) e surgimento precoce de catarata.

Dicas para se evitar problemas

✓ Monitore o tempo que o seu filho passa em frente ao computador e televisão.

✓ Estimule atividades ao ar livre. Isto pode ajudar a evitar a miopia, pois a luz externa faz a pupila contrair e ajuda a aprofundar o foco.

✓ Certifique-se de que a criança consegue enxergar perfeitamente a tela, mantendo o ângulo da visão em 15 graus, em torno de 50 a 60cm de distância dos olhos, enquanto o monitor deve ficar ligeiramente voltado para baixo.

✓ Faça regularmente o exame oftalmológico nas crianças, prestando atenção se seus filhos cerram os olhos para conseguirem enxergar algo distante, chegam perto demais da TV ou do celular, pois estes são sintomas de miopia.

✓ Sendo necessário, utilize lentes de grau, particularmente as que possuem tratamento com filtro que bloqueie a passagem da luz azul nociva, disponível em diversos fabricantes.

✓ Tamanhos de fonte também podem ser ajustados para facilitar a leitura. Caso seja necessário, inclinar em direção à tela para ler o texto, é melhor aumentar um pouco o tamanho das letras na tela.

✓ Verifique a iluminação do ambiente onde o computador e a televisão são usados. Nunca os coloque diante de uma janela, pois o excesso de luz na direção dos olhos favorece a fadiga visual.

✓ Estipule pausas – Caso use o computador por uma hora, por exemplo, tire 10 minutos para descansar a vista, olhar para longe ou mesmo fechar os olhos por alguns minutos.

✓ Evite também colocar em ambientes de baixa luminosidade, devido ao contraste com a luz emitida pelo monitor ser altamente prejudicial à visão.

✓ Evite luzes diretas nos olhos, como luminárias de mesa.

✓ Mantenha a tela do computador limpa.

✓ Não use medicamentos como colírios e água boricada sem antes procurar um oftalmologista. Estes produtos podem mascarar problemas oculares sérios e causar irritação nos olhos.

✓ Pisque, mesmo que voluntariamente para lubrificar os olhos.

✓ Atenção à postura! O mal posicionamento pode acelerar o processo de vista cansada e provocar dor de cabeça.

✓ Não deixe ar-condicionado ou ventiladores apontados para seu rosto.

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Fontes:
– CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia
– Revista Nature. Archives of Ophthalmology
– Academia Americana de Oftalmologia
– National Eye Institute (NEI)

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Hans Staden e sua obra foram tema da pesquisa de doutorado da palestrante.