25 de outubro de 2017

8 motivos pra você não fazer exame de vista grátis nas óticas

8 motivos pra você não fazer exame de vista grátis nas óticas

Você já fez exame de vista grátis em óticas? Essa prática se torna cada dia mais comum, mas você sabia que na verdade ela é clandestina e pode trazer graves consequências para a saúde dos seus olhos?

Normalmente, algumas óticas oferecem uma “compra casada”. Isso significa que você pode fazer uma consulta com o optometrista ou oftalmologista, mas se quiser ter o resultado, precisa adquirir a armação e as lentes na própria ótica.

Esse tipo de coação é ilegal e deve ser denunciada. Além disso, há outros motivos que você precisa saber antes de pensar em fazer um exame de vista grátis nas óticas. Veja a seguir:

1. NÃO É NEM UM POUCO CONFIÁVEL
Em uma matéria realizada pelo Jornal Nacional, o repórter testou a consulta na ótica. Por 20 reais, ele recebeu uma receita, assinada por um médico, que indicava que ele tinha problemas na visão. Ele só teve acesso a essa receita quando adquiriu os óculos na ótica.

A seguir, o mesmo repórter foi até uma consulta tradicional com o oftalmo para comparar as receitas. O oftalmo então lhe informou que na verdade ele não precisava de óculos.

2. AINDA NÃO HÁ CONSENSO SOBRE A PROFISSÃO DO OPTOMETRISTA
Em muitos casos, quem realiza essas consultas gratuitas nas óticas são optometristas.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia ainda não recomenda a prescrição de óculos ou lentes de contato por parte desses profissionais. Embora o exercício da optometria seja comum em diversos países e seus profissionais tenham ganho espaço no Brasil, muitas vezes o consumidor não tem conhecimento sobre qual profissional está realizando sua consulta.

3. NÃO IDENTIFICA VÁRIAS DOENÇAS DOS OLHOS
A saúde do olho não se resume apenas ao uso de óculos. Outras doenças podem existir, dependendo dos seus sintomas e histórico familiar.

Nas consultas em óticas, problemas como glaucoma, catarata e infecções não são detectados, já que é necessário o uso de equipamentos que um oftalmologista possui somente em seu consultório.

4. VENDAS CASADAS SÃO PROIBIDAS
As vendas casadas são proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor e o Procon (Procuradoria do Consumidor) pede que essa prática seja denunciada.

5. PUBLICIDADE DE SERVIÇOS DE SAÚDE SÃO LIMITADOS
Nos centros de cidades paulistas, como Campinas e Santos, existe muita concorrência entre óticas que fazem o serviço e é comum encontrar vários vendedores que entregam panfletos e abordam as pessoas nas ruas.

De acordo com o Manual de Publicidade Médica, fazer publicidade de serviços médicos é proibido. Por isso, fica claro que essa não é uma prática executada por profissionais de confiança.

6. CONFLITOS DE INTERESSES
Se você realiza a consulta na ótica, precisa estar ciente de que aquele profissional tem interesse em vender armações e lentes corretivas. Por isso, são grandes as chances da receita ser direcionada para seu uso. Dificilmente, um profissional de óticas vai dizer que você não precisa de óculos.

Já médicos oftalmologistas não têm interesse direto nessa venda. Seu objetivo é zelar pela saúde do paciente que faz a consulta.

7. USO INCORRETO DO AUTORREFRATOR
Quando você realiza seu exame ocular em um consultório, em alguns casos, o aparelho utilizado é o autorrefrator, que é de fácil manejo. Entretanto, para diagnosticar doenças mais sérias e fazer uma previsão mais correta do grau do paciente é preciso estar ciente que – se for necessário – o paciente deve ser direcionado a um profissional especializado.

8. UMA CONSULTA COMPLETA DEMORA MAIS DO QUE ALGUNS MINUTOS
Para ter um diagnóstico realmente completo, a consulta é bem mais demorado do que pode acontecer nas óticas.

O médico começa perguntando sobre seus sintomas, histórico familiar, se você já usar lentes corretivas, qual é seu grau, entre outras. Depois, ele decide quais tipos de testes serão realizados em você, dependendo dos seus riscos. Se você tiver alguém na família com glaucoma, por exemplo, o teste especifico será aplicado.

Outros fatores, como o estado das partes do olho, movimentos, respostas e campo de visão também são checados nas consultas realizadas com um oftalmologista.

 

Por esses motivos, pense bem antes de fazer exame de vista grátis nas óticas! Não deixe de sempre consultar um profissional de confiança para realmente saber como está a saúde dos seus olhos. E se realmente você precisar de óculos, pesquise bem o melhor tipo de lente para a sua necessidade antes de comprá-la.

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Fonte: Veja Bem por Lenscope

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Lentes de contato: indicação, adaptação e acompanhamento são atos médicos exclusivos

Comprar lente de contato virou fácil demais. Quiosque, site, óptica: escolhe pela cor, pelo preço ou pelo "grau aproximado" tirado da receita de óculos, e pronto.

Só que a lente de contato é uma órtese ocular. Ela fica apoiada diretamente sobre a córnea, um tecido transparente, sem vasos sanguíneos, que tira oxigênio do ar e da lágrima. Não é acessório.

Por isso existe a Resolução CFM nº 1.965/2011, que determina: a indicação, a adaptação e o acompanhamento do uso de lentes de contato são atos médicos exclusivos.

O que isso significa na prática:

o grau da lente de contato não é o mesmo dos óculos e não pode ser deduzido dela
material, curva base, diâmetro e oxigenação são definidos pelo médico, com o olho examinado
indicação e adaptação devem ser feitas pelo mesmo profissional
o processo não termina na entrega: o controle periódico faz parte do ato médico
a regra vale igualmente para lentes coloridas sem grau

Sem consulta e sem retorno programado, o paciente aprende a conviver com olho vermelho, ardência e sensibilidade à luz como se fossem "adaptação normal". Quando finalmente procura ajuda, o quadro já não é simples. Ceratite, úlcera de córnea e neovascularização deixam marcas que não se apagam.

Usa lentes há anos e nunca teve problema? O acompanhamento é ainda mais importante: a perda de oxigenação da córnea e a piora do filme lacrimal se instalam devagar, sem sintoma no começo.

Entenda tudo no artigo completo do nosso site.