10 de janeiro de 2025

A importância do oftalmologista na adaptação das lentes de contato

A importância do oftalmologista na adaptação das lentes de contato

Muito se pergunta sobre o por quê da necessidade de lentes de contato serem adaptadas por médicos oftalmologistas, e não por técnicos. Bem… muitos são os argumentos.

As lentes de contato interferem no metabolismo e fisiologia corneal. Também podem levar à perda visual irreversível em caso de infecções graves.

Estaria o técnico habilitado para identificar, diagnosticar e tratar doenças? Obviamente que não. Nem legalmente o técnico, o balconista da ótica ou da farmácia estão aptos para isto, quiçá o vendedor pela internet. Sendo assim, como seria uma pessoa capaz de realizar um serviço para o qual ela não estará apta de contornar e resolver problemas que podem surgir deste ato?

Adaptar lentes de contato não é ensinar a manuseá-las. Manuseio de lentes é uma coisa, adaptação é outra. Fazer exames, muitos complexos, calcular e projetar lentes de contato especiais não é tão fácil quanto possa parecer.

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Devemos lembrar que muitos destes exames apresentam resultados estáticos (ex: Topografia) e a lente de contato interage com a córnea, a lágrima e as pálpebras, ou seja, encontra-se envolvida no ato de piscar, em movimento.

E piscar é fundamental para uma boa adaptação de lentes de contato. Mas não uma piscada mal dada. Piscar “pela meta­de” também não serve. Piscar forte demais também é inadequado. Deve haver ampli­tude na piscada. Melhor uma piscada dada corretamente, do que inúmeras piscadas mal dadas. E um bom exame clínico é necessário para identificar irregularidades na adaptação das lentes e sua relação com as piscadas e movimento dos olhos, ou preveni-las.

Com o passar dos anos, o paciente pode­rá apresentar intolerância ao tipo de lentes que faz uso. E deve-se investigar, através de novos exames médicos, o que ocorre. Se o técnico, o balconista da farmácia ou da ótica não são aptos para diagnosticar e fazer exames médicos, bem como dar laudos e medicar, como eles poderão tomar nova conduta e fazer nova escolha do tipo de lente?

Por favor, entenda: não estamos aqui numa luta de classes, ou querendo reserva de mercado. Estamos aqui com o intuito de preservar a saúde da população. Se querem aumentar o número de especialis­tas em lentes de contato, que se capacite adequadamente um maior número de pessoas. E não reduzir a necessidade da capacitação do profissional que irá atender a esta população.

Cada profissional atua em determinada área. E especializa-se para poder oferecer a melhor qualidade e o melhor atendimento dentro do seu campo de atuação. Nós, oftalmologistas, temos plena consciência de também não adentrarmos a área de outros profissionais. Desconheço oftalmologista que adentre a odontologia, por exemplo. Temos a ciência de nossas limitações e habilidades. E por quê? Pelo mesmo motivo acima: cuidado adequado ao paciente. Respeito à saúde da população.

Brunno Dantas
Chefe do Departamento de Ortoceratologia, Controle da Miopia e Lentes de Contato do Hospital Federal dos Servidores do Estado. Professor do Curso de Pós-Graduação em Oftalmologia da SOB e Vice-Presidente do CLORE.

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Fonte: JBO: Jornal Brasileiro de Oftalmologia

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Hans Staden e sua obra foram tema da pesquisa de doutorado da palestrante.