3 de agosto de 2017

Doutor, pode me explicar?

Doutor, pode me explicar?

Não há coisa mais desconfortante para um paciente do que, após uma consulta médica, ele sair do consultório confuso com as explicações técnicas de uma doença ou tratamento. A tentativa de esclarecer um diagnóstico pode causar muitas dúvidas, caso os termos usados não sejam decodificados para quem está ouvindo. Por isso é comum o paciente perguntar no final da explicação médica: mas isso é grave, doutor?

Para ajudar em sua compreensão, listamos alguns termos usados por oftalmologistas.

FILME LACRIMAL
Formação líquida, constituída pela lágrima, com o aspecto de uma verdadeira película, que reveste a córnea e a conjuntiva.

LENTE INTRAOCULAR
Lente que se coloca dentro do globo ocular, nas operações de catarata (pseudofacia), nas cirurgias com miopia elevada, mantendo o cristalino no lugar, ou não.

MOSCAS VOLANTES
O mesmo que miidopsia. Percepção de pontos, fios, insetos inexistentes no espaço. Correspondem a pontos de degenerações do vítreo. Convém examinar, com mais cuidado, a retina também.

REFRAÇÃO
Mudança de trajeto que sofre um raio luminoso ao passar de um meio óptico para outro. Os raios que entram no olho sofrem estes desvios a partir da córnea, passando pelo aquoso, cristalino e vítreo, até chegar à retina. Se o foco não se faz na retina de modo natural, precisamos promover a correção óptica, que é a procura da lente que vai ser posta junto ao olho, ou dentro dele, capaz de ajudar a colocar o foco na retina.

PTERÍGIO
Processo degenerativo da conjuntiva que pode se estender até a córnea, causando distorção da visão e irritação crônica. Também conhecido como “carne no olho”. Sua causa ainda é desconhecida, mas a exposição à luz solar é uma teoria aceita, além de tendência familiar.

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Alguns exames também possuem nomes bem complicados. Saber um pouco mais sobre o significado deles pode ajudar na compreensão de sua importância e alcance. Abaixo uma relação dos exames mais comuns para o caso de serem necessários a investigação e o acompanhamento do paciente:

ANGIOFLUORESCEINOGRAFIA
Fotografias consecutivas da retina após contraste endovenoso de fluoresceína sódica.
• Indicação: Oclusões vasculares da retina, retinopatia diabética, tumores intraoculares e degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

BIOMICROSCOPIA ULTRASSÔNICA (UBM)
Ultrassonografia de alta frequência do segmento anterior do globo ocular.
• Indicação: Avaliação de tumores do segmento anterior, pesquisa de glaucoma e opacidades corneanas.

CAMPIMETRIA COMPUTADORIZADA
Análise da sensibilidade visual em múltiplas localizações do campo de visão.
• Indicação: Glaucoma, neuropatia óptica, alteração do SNC com comprometimento visual e toxicidade medicamentosa.

CARTÕES DE TELLER
Medida da acuidade visual baseada no comportamento de resposta em indivíduos que não informam a visão.
• Indicação: Estrabismo, ambliopia, catarata congênita, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, paralisia cerebral e síndrome de Down.

ESTEREOFOTO DE PAPILA
Registro fotográfico em 3D do nervo óptico.
• Indicação: Acompanhamento de glaucoma, neuropatia óptica e papiledema.

FDT
Estudo da função de células específicas da retina com influência no campo visual.
• Indicação: Diagnóstico precoce e acompanhamento do glaucoma.

FOTOGRAFIA DE SEGMENTO ANTERIOR
Registro de imagens da superfície ocular, incluindo conjuntiva, limbo e córnea, bem como da íris, do ângulo iridocorneano e do cristalino.
• Indicação: Alteração corneana, lesões infecciosas da córnea e seguimento de lesões da superfície da íris.

PENTACAM
Avaliação da superfície anterior ocular (córnea) por meio de imagens tomográficas.
• Indicação: Avaliação pré e pós-operatória de cirurgia refrativa e ceratocone.

RETINOGRAFIA
Registro, por fotografias, de imagens do fundo do olho, permitindo o uso de filtros que realçam determinadas camadas oculares.
• Indicação: Oclusões vasculares da retina, retinopatia diabética, tumores intraoculares, DMRI, descolamento de retina, uveítes e distrofia retiniana.

TESTE ORTÓPTICO
Avaliação da musculatura extrínseca do globo ocular e avaliação sensorial pelo estudo da visão de profundidade.
• Indicação: Estrabismo e astenopia.

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Lentes de contato: indicação, adaptação e acompanhamento são atos médicos exclusivos

Comprar lente de contato virou fácil demais. Quiosque, site, óptica: escolhe pela cor, pelo preço ou pelo "grau aproximado" tirado da receita de óculos, e pronto.

Só que a lente de contato é uma órtese ocular. Ela fica apoiada diretamente sobre a córnea, um tecido transparente, sem vasos sanguíneos, que tira oxigênio do ar e da lágrima. Não é acessório.

Por isso existe a Resolução CFM nº 1.965/2011, que determina: a indicação, a adaptação e o acompanhamento do uso de lentes de contato são atos médicos exclusivos.

O que isso significa na prática:

o grau da lente de contato não é o mesmo dos óculos e não pode ser deduzido dela
material, curva base, diâmetro e oxigenação são definidos pelo médico, com o olho examinado
indicação e adaptação devem ser feitas pelo mesmo profissional
o processo não termina na entrega: o controle periódico faz parte do ato médico
a regra vale igualmente para lentes coloridas sem grau

Sem consulta e sem retorno programado, o paciente aprende a conviver com olho vermelho, ardência e sensibilidade à luz como se fossem "adaptação normal". Quando finalmente procura ajuda, o quadro já não é simples. Ceratite, úlcera de córnea e neovascularização deixam marcas que não se apagam.

Usa lentes há anos e nunca teve problema? O acompanhamento é ainda mais importante: a perda de oxigenação da córnea e a piora do filme lacrimal se instalam devagar, sem sintoma no começo.

Entenda tudo no artigo completo do nosso site.