11 de dezembro de 2023

Por que o oftalmologista é o único que pode adaptar e indicar o uso de lentes de contato?

Por que o oftalmologista é o único que pode adaptar e indicar o uso de lentes de contato?

As lentes de contato trouxeram melhoria da qualidade de vida, não só pela correção dos erros refrativos, mas também pela questão estética e menor restrição nas atividades diárias. Apesar das inúmeras vantagens, as lentes podem causar complicações, sendo a maioria delas minimizada com o uso correto e acompanhamento.

O desconforto é uma condição caracterizada por sensações oculares adversas episódicas ou persistentes relacionadas ao uso de lentes, com ou sem distúrbio visual, resultando em certa intolerância e podendo reduzir o tempo de uso ou até levar a descontinuação.

Condições que podem causar desconforto com as lentes como blefarite, meibomite, alergias e síndrome de olho seco devem ser tratadas antes de iniciar o uso. Em alguns pacientes que continuam sintomáticos apesar das orientações de forma de uso, higiene, descarte e tratamento de condições da superfície é necessário trocar o tipo de lente ou a forma de uso/descarte.

Além disso, diversas outras complicações podem estar associadas principalmente ao uso incorreto, má adaptação, forma de uso ou tipo de lente não adequado ou não orientação/acompanhamento do paciente, como por exemplo:

1) Neovascularização corneana, principalmente em pacientes usuários de lente gelatinosa, havendo associação com uso prolongado, lentes com periferia espessa pelos altos graus, lentes apertadas e baixa transmissibilidade ao oxigênio;

2) Úlcera periférica relacionada a lentes de contato, principalmente em pacientes que fazem uso prolongado;

3) Ceratite bacteriana, associada em muitos casos à hipóxia, microtraumas (quebra da barreira epitelial) e contaminação das lentes ou da solução de limpeza. O risco pode ser aumentado em 20 vezes naqueles que fazem uso prolongado, o que aumenta a hipóxia corneana;

4) Ceratite por acanthamoeba, a mais temida das infecções associadas à lentes de contato, é associada a higiene irregular e incorreta das lentes e contato com águas contaminadas com a ameba de vida livre. Pacientes que fazem uso esporádico de lente de descarte anual ou mensal normalmente tem baixa adesão à limpeza diária das lentes, o que também pode ser um fator de risco nesses casos;

5) Ceratite fúngica, mais comum em casos de trauma e em usuários prolongados de lentes gelatinosas de material hidrogel;

6) Conjuntivite papilar gigante, que tem prevalência maior em usuários de lentes silicone hidrogel e pode ser consequência da irritação mecânica causada pelo alto módulo. Uma diminuição nos casos tem sido vista em pacientes que fazem descarte diário das lentes. A história de alergia/atopia é comum;

Cabe lembrar que lentes de contato bem adaptadas por um profissional oftalmologista, após realizado exame oftalmológico completo, exames complementares de acordo com a necessidade e teste de adaptação normalmente são bastante seguras, com índice de complicação baixo.

A grande maioria das complicações ocorre por mau uso, falta de orientação e seguimento e pela banalização do exame médico como ferramenta essencial nesse processo.

Pelos motivos expostos foi determinado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), na resolução 1965/2011, que “a indicação e a adaptação de lentes de contatos são procedimentos médicos exclusivos e integrais (?)” e que “a indicação e processo de adaptação devem ser feitas pelo mesmo médico, sendo atos intransferíveis e não compartilhados”.

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Fonte: Universo Visual – www.universovisual.com.br

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Lentes de contato: indicação, adaptação e acompanhamento são atos médicos exclusivos

Comprar lente de contato virou fácil demais. Quiosque, site, óptica: escolhe pela cor, pelo preço ou pelo "grau aproximado" tirado da receita de óculos, e pronto.

Só que a lente de contato é uma órtese ocular. Ela fica apoiada diretamente sobre a córnea, um tecido transparente, sem vasos sanguíneos, que tira oxigênio do ar e da lágrima. Não é acessório.

Por isso existe a Resolução CFM nº 1.965/2011, que determina: a indicação, a adaptação e o acompanhamento do uso de lentes de contato são atos médicos exclusivos.

O que isso significa na prática:

o grau da lente de contato não é o mesmo dos óculos e não pode ser deduzido dela
material, curva base, diâmetro e oxigenação são definidos pelo médico, com o olho examinado
indicação e adaptação devem ser feitas pelo mesmo profissional
o processo não termina na entrega: o controle periódico faz parte do ato médico
a regra vale igualmente para lentes coloridas sem grau

Sem consulta e sem retorno programado, o paciente aprende a conviver com olho vermelho, ardência e sensibilidade à luz como se fossem "adaptação normal". Quando finalmente procura ajuda, o quadro já não é simples. Ceratite, úlcera de córnea e neovascularização deixam marcas que não se apagam.

Usa lentes há anos e nunca teve problema? O acompanhamento é ainda mais importante: a perda de oxigenação da córnea e a piora do filme lacrimal se instalam devagar, sem sintoma no começo.

Entenda tudo no artigo completo do nosso site.