16 de outubro de 2023

A importância do exame ocular no recém-nascido

A importância do exame ocular no recém-nascido

A deficiência visual na infância afeta o processo de aprendizagem e a integridade física e psíquica, sendo fundamental a sua prevenção e sua identificação precoces. Com os conhecimentos médicos atuais, pelo menos 60% das causas de cegueira e severo comprometimento visual infantil são preveníveis ou tratáveis. Toda criança deve ter seus olhos examinados ainda no berçário.

Os pais tem conhecimento do Teste do Pezinho mas desconhecem o Teste do Olhinho. A grande importância dele está na detecção precoce de doenças que comprometem o eixo visual, como a catarata congênita, o glaucoma congênito, as mal formações e tumor intra ocular. Além disso, no exame pode-se diagnosticar traumas de parto, hemorragias e inflamações além de infecções.

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É um exame simples, indolor e rápido, que deve ser realizado por pediatra treinado, nos primeiros dias de vida do bebe ou antes da alta hospitalar. Pode ser repetido a cada consulta pediátrica, uma vez que algumas doenças oculares se manifestam posteriormente. Verifica-se o reflexo vermelho ao incidir uma luz em direção a pupila. Faz-se também a inspeção do segmento anterior dos olhos e pálpebras. Algumas vezes se faz necessária a dilatação das pupilas, através de gotas de colírio, para facilitar a avaliação do reflexo pupilar e o interior do olho. Quando o pediatra tem dúvidas quanto ao resultado do exame ou na presença de reflexo pupilar alterado, o bebê deve ser imediatamente avaliado pelo oftalmologista.

O teste do olhinho ainda não é realizado de forma obrigatória em todos os hospitais e maternidades do país, como acontece nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná. Essa avaliação não detecta a retinopatia da prematuridade. Caso o bebê seja prematuro (com menos de 32 semanas de gestação ou com peso de nascimento inferior a 1500g), cabe ao oftalmologista realizar exame de mapeamento de retina.

Muitas das condições associadas à cegueira na infância são causas de mortalidade infantil (parto prematuro, sarampo, síndrome de rubéola congênita, deficiência de vitamina A e meningite). Estima-se que no mundo haja 1,4 milhão de crianças cegas e uma criança cega tem muitos anos de cegueira pela frente. Cerca de 50% das causas de cegueira infantil no Brasil são evitáveis, sendo preveníveis (rubéola, toxoplasmose) ou tratáveis (catarata, glaucoma, retinopatia da prematuridade).

A catarata congênita constitui a causa mais frequente de cegueira evitável na infância em todo o mundo. Cerca de 40% das cataratas congênitas no Brasil são secundárias a Rubéola. O diagnóstico precoce é importante pois implica na necessidade de tratamento cirúrgico e correção visual o mais cedo possível, muitas vezes com estimulação visual. O glaucoma congênito ocorre em, aproximadamente, um para cada dez mil nascidos vivos, é uma doença rara, caracterizada pelo aumento da pressão intraocular em crianças portadoras de mal formação nos olhos. Em cerca de 30% dos casos, ao nascimento, ocorrem alterações do segmento anterior do globo ocular que podem despertar a atenção da família e do neonatologista.

A retinopatia da prematuridade está entre as primeiras causas de cegueira infantil, tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Os recursos tecnológicos e o aprimoramento da assistência neonatal permitem a sobrevivência de muitos recém-nascidos com baixo peso e prematuros, que formam o principal grupo de risco para a ocorrência da doença e suas complicações. A maioria dos bebês prematuros não desenvolve a retinopatia da prematuridade mas corre o risco de ter baixo desenvolvimento visual por outras conta de erros refracionais (grau), estrabismo e comprometimento do sistema nervoso central por problemas que envolveram os riscos de sobrevida.

O retinoblastoma é o tumor intra ocular mais frequente na infância. Pode ser hereditário. Ocorre em cerca de um para cada quinze mil nascidos vivos e esta incidência varia conforme o nível de desenvolvimento da região, sendo maior nos paises desenvolvidos devido ao aumento da sobrevida dos bebês com retinoblastoma, que podem transmitir os genes para seus descendentes. No Brasil, 60% dos retinoblastomas são diagnosticados tardiamente, quando já não é possível salvar o olho, e às vezes nem a vida da criança. O diagnóstico precoce é fundamental para a preservação da visão, do globo ocular e da vida da criança. É recomendável que a criança passe por um exame oftalmológico a cada 6 meses nos dois primeiros anos de vida e, se tudo normal, deve fazer um exame anual até os 9-10 anos de idade, época em que termina o desenvolvimento da visão.

A visão se desenvolve 90% durante os dois primeiros anos de vida. Portanto, é durante esta fase que a criança aprende a fixar, a movimentar os olhos de maneira conjunta e a perceber profundidade. Toda e qualquer alteração durante esta fase que não tenha sido corrigida pode acarretar prejuízos na visão para o resto da vida. Além disso, o desenvolvimento motor da criança durante o primeiro ano de vida é diretamente relacionado a sua capacidade visual. O que muitas vezes parece ser um atraso de desenvolvimento pode, na verdade, ser deficiência visual, facilmente diagnosticada e, na maioria das vezes, tratada. Os outros 10% do desenvolvimento visual ocorrem até 7-9 anos de idade.

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Em meados do século XVI, um jovem de vinte e poucos anos cruzou o oceano para conhecer as Índias Ocidentais – a colônia portuguesa no continente americano, o futuro Brasil. Após muitas aventuras, consegue trabalho como guarda da costa de Bertioga, no litoral paulista. Certo dia, quando sai para caçar, acaba preso por alguns membros da tribo dos Tupinambás, temidos por comerem seus valentes prisioneiros. Com o passar do tempo, o jovem aventureiro, Hans Staden, vai tendo seu valor depreciado à medida que demonstra medo e outras características que os Tupinambás não desejavam adquirir para si. Após conseguir retornar à Europa, Staden escreve um livro que se tornaria um grande best-seller por séculos: “História verídica de uma terra de selvagens nus e canibais chamada Brasil...”. Esse acabou sendo a única fonte de informação sobre nosso futuro Brasil para o mundo até o século XIX e contribuiu para criar alguns estereótipos até hoje disseminados sobre nossa cultura. Que estereótipos são esses? Que outras informações importantes contém o livro? Como o não tão bravo Staden conseguiu escapar de ser canibalizado? Por que seu livro é importante ainda hoje? O que fez depois que retornou à Europa? Como sua história se liga à história do mundo ocidental: reforma, contrarreforma, colonialismo...? Venha descobrir nesta palestra e contribua para tornar realidade o Projeto Estudo do Meio do 10º Ano da Escola Associativa Waldorf Veredas, localizada em Campinas (o valor do ingresso será integralmente revertido para o projeto).
Hans Staden e sua obra foram tema da pesquisa de doutorado da palestrante.