22 de agosto de 2019

Vacina após os 50 anos evita Herpes Zóster, doença dolorosa e desfigurante

Vacina após os 50 anos evita Herpes Zóster, doença dolorosa e desfigurante

Não é só para tomar a vacina contra a gripe que os idosos devem sacar a carteirinha de vacinação; aliás, quem completa 50 anos ou mais deve precaver-se contra o vírus Herpes Zoster (VHZ), pois é o período em que a incidência da infecção aumenta – em torno de 60% das pessoas que apresentam a doença são desta faixa etária.

A Dra. Monica Signorelli, do Centro Campineiro de Microcirurgia, alerta que há chance de 10% a 25% de se adquirir VHZ ao longo da vida. A médica chama a atenção para as complicações associadas, entre elas, à perda de visão. Segundo a oftalmologista, a vacina reduz a neuralgia (dor que acompanha o trajeto do nervo afetado) pós-herpética, de intensidade variável, que muitas vezes pode ser incapacitante e persistir por dias, meses ou até anos.

A médica Monica Signorelli: “O vírus permanece ‘adormecido’ no organismo e pode ser reativado anos mais tarde por variação do sistema imunológico frequente no processo de envelhecimento”.

O vírus é o mesmo da catapora, chamada também de varicela. Dra. Monica explica que ele fica incubado no organismo e, quando reaparece, se instala principalmente nos nervos do tórax (cobreiro) e nos do crânio, que é o segundo local mais acometido, podendo causar a cegueira.

Quem teve a doença na infância é o alvo mais certeiro. A literatura médica aponta que mais de 95% das pessoas nascidas há mais de 40 anos tiveram catapora na infância. Entidades de saúde calculam que uma em cada três pessoas terá a doença ao longo da vida. Quando as estatísticas focam quem tem acima de 85 anos, o índice afunila para uma em cada duas pessoas.

A médica Monica Signorelli: “O vírus permanece ‘adormecido’ no organismo e pode ser reativado anos mais tarde por variação do sistema imunológico frequente no processo de envelhecimento”.

A Dra. Monica, que é especialista em retina, vítreo e uveítes, alerta que ardência, dor, coceira, pequenas vesículas, pápulas avermelhadas e feridas são os primeiros sintomas, que podem aparecer em um dos lados do corpo e no abdômen, além dos citados tórax e rosto. “O vírus permanece ‘adormecido’ no organismo e pode ser reativado anos mais tarde por variação do sistema imunológico frequente no processo de envelhecimento”, explica a médica.

De acordo com a médica, o VHZ, quando infecta os nervos da face e do olho, pode provocar: erupção cutânea nas pálpebras, vermelhidão, sensação de olho seco, visão embaçada, sensibilidade à luz, dor que se irradia pelo trajeto do nervo afetado, inchaço e infecções associadas. “A expansão das lesões pode ser desfigurante”, frisa.

A especialista observa que o acometimento da superfície ocular, principalmente da córnea, pode ser tão grave a ponto de requerer um transplante. Ela lembra que há ainda uma forma mais rara, que incide na retina, mais devastadora para a visão. “Nesta circunstância, ocorre necrose da retina e o tratamento deve ser imediato”.

Crédito das fotos: Matheus Campos.

Crédito das fotos: Matheus Campos.

Monica lamenta que mesmo que uma vacina eficaz já esteja disponível desde 2014 no Brasil, muitos continuam não vacinados. “A vacina de vírus atenuado é bem tolerada na população de idade mais avançada. A aplicação reduz o risco de desenvolver o zoster em 51% e a dor (neuralgia) pós-herpética em 67%. Entretanto, a vacina é eficaz por um período de cinco anos. Adultos vacinados antes dos 60 anos podem não estar protegidos e necessitarem de uma nova dose após esta idade”, afirma a especialista.

A vacina contra o herpes-zoster é ministrada em dose única injetável abaixo da pele. A imunização existe no Brasil desde 2014 e nos EUA desde 2006. Ela é recomendada até pra quem já teve a doença, desde que seja respeitado o intervalo de seis meses após o último surto ou de acordo com orientação do médico assistente. Há de se observar que a vacina é apenas para o tipo 3 do Herpes, que é a forma zoster. Para o vírus herpes simples tipo 1 (herpes oral) e tipo 2 (herpes genital) ainda não há imunização disponível, mas há estudos para o seu desenvolvimento.

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